Fênix, ong que atende crianças vítimas de violência pode fechar as portas

Texto de Michelle Stival da Rocha – Do site da Câmara Municipal de Curitiba
Fotos de Rodrigo Fonseca 

Com um deficit mensal de R$ 28 mil, a ONG Fênix Ações Pela Vida, que atende crianças e adolescentes vítimas de violência, anunciou no plenário da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), no último dia 20, que poderá fechar as portas no próximo semestre. Na Tribuna Livre, a organização não-governamental confirmou que precisa de auxílio financeiro da sociedade para continuar atendendo.

Presidente da Associação Fênix

“Estamos buscando soluções para não fecharmos as nossas portas”, disse a presidente da ONG Fênix, Sandra Dolores de Paula Lima

“É uma causa que não podemos mais ficar quietos, não podemos mais virar o rosto e fazer de conta que não é com a gente porque é um assunto ruim: violência de criança e adolescente, conflito familiar, suicídio e automutilação”, alertou a presidente da entidade, Sandra de Paula Lima. A ONG foi convidada pelo vereador Jonny Stica (PDT) para fazer o alerta à sociedade no plenário da CMC.

“A Fênix é uma pauta da cidade, de todos os vereadores. Junto com a Apae [Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais], são instituições já reconhecidas na cidade”, justificou Stica. Para ele, os parlamentares precisam pensar “o que a Casa pode fazer para ajudar, cada um aqui tem as emendas parlamentares, mais do que isso, tem contato com a sociedade, contato com entidades que possam vir a colaborar com a Fênix”.

Sandra explicou que a ONG faz um trabalho de recuperação não só com as vítimas, mas com toda a família, além de atender as que são portadoras do vírus HIV. “Estamos buscando soluções para não fecharmos as nossas portas.” Ela reforçou o pedido do vereador por mais emendas e “que ajudem a sensibilizar a comunidade e órgãos públicos a contribuírem com a causa”.

“É importante estar neste lugar, que considero de transformação, onde o povo está aqui a todo momento, buscando uma sociedade mais justa, com mais qualidade de vida.” A gestora agradeceu o convite de Stica e alguns vereadores que já apoiam a entidade. “Hoje estou aqui pra conscientizar os presentes da situação, que é real na nossa cidade, no Brasil e no Mundo: a violência sexual de crianças e adolescentes. Que criança é essa que vamos deixar pro Mundo? Que família é essa que vai cuidar dessa criança com segurança?”, alertou.

Contas a pagar

O conselheiro Everson Talgatti sugeriu que a Câmara forme uma comissão de vereadores para auxiliar na busca de apoio

Segundo Everson Talgatti, conselheiro da ONG, com um custo total mensal de R$ 57.092,49 para manter aluguel, funcionários e despesas gerais, a entidade só consegue arrecadar R$ 29 mil e o restante (R$ 28.092,49) vira deficit. Além disso, quando estava em pleno funcionamento, tinha 23 funcionários, hoje tem 6. ”Como é que se mantém uma atividade dessa? Não consegue”, asseverou

Para o conselheiro da Fênix, é hora do Poder Público e seus representantes se engajarem. Ele sugeriu que seja formada uma comissão de vereadores para que ajudem a entidade a buscar contrapartidas dos diversos órgãos que encaminham demandas para a entidade, como Conselhos Tutelares, Ministério Público, Hospitais, Poder Judiciário, entre outros.

Além da falta de contrapartida do poder público, a ONG enfrenta o preconceito de particulares. “Quando a gente vai a uma empresa [pedir doações] e apresenta o caso de violência sexual, o que ocorre? Essa empresa não quer associar a marca dela com uma ong que está auxiliando vítimas de abuso sexual, porque ela não quer a imagem dela vinculada a isso.”

Explicou ainda que o aluguel da sede, que é financiado pelas Irmãs de Chambery, não poderá mais ser pago pela entidade. Segundo Talgatti, o Vaticano ordenou que esse dinheiro seja repassado para auxiliar imigrantes em outros países. A renda atualmente vem da Prefeitura de Curitiba, de uma empresa de sorvetes local e contribuições do Nota Paraná.


Os atendimentos
“Ao longo dos últimos 12 anos, foram em torno de 30 mil atendimentos. Só em 2018 foram 4.468 atendimentos, incluindo crianças, adolescentes e familiares. A gente realizou isso com um número muito reduzido de funcionários, sendo alguns orientadores sociais, psicólogos, a grande maioria voluntários, que agradeço, e o setor administrativo, que nos ajuda também”, detalhou a coordenadora da equipe de psicologia, Thais da Costa de Paula.

Ela contou o caso de uma adolescente com 15 anos, encaminhada pelo Conselho Tutelar, vítima de abuso sexual praticado pelo padrasto, que além disso sofria maus tratos da mãe. “Muito debilitada, pesando apenas 31 quilos, não conseguia ficar reta olhando pra mim, apenas ficava deitada no sofá e chorava”, relatou a psicóloga, que afirmou que hoje a garota está bem e já consegue frequentar a escola.

Os colaboradores da Associação Fênix reunidos

Equipe da ONG Associação Fênix acompanhou a apresentação. Junto, os vereadores Paulo Rink, Jonny Stica e Pier Pettruziello


Em um dos slides mostrados em plenário, Thais colocou uma imagem do ciclo de amadurecimento de uma borboleta e disse: “A sexualidade da criança é como o ciclo da borboleta. Se ela seguir o ciclo natural, vai voar bem. O abuso sexual é quando a gente interrompe de uma maneira bruta e violenta o ciclo da sexualidade da criança. Então nós costuramos esse casulo para que ela possa voar”. Segundo a profissional, há uma lista de 40 pessoas esperando para serem atendidas pela ONG.

As doações em dinheiro à instituições podem ser feitas por pessoas físicas ou jurídicas, por meio de depósito, boletos e parte do imposto de renda. Confira aqui como contribuir. A Associação Fênix fica na rua Augusto Stresser, 191 próxima ao estádio de futebol Couto Pereira no Alto da Glória.

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