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Mulher não é normal ser maltratada

Não negligencie maus tratos em sua vida, não negligencie humilhações ou agressões verbais e não tolere ser tratada como alguém de menos valor

Associação Fênix violência contra a mulher

Campanha veiculada na mídia visando estimular a denúncia

A violência contra a mulher é um tema atual em debate em nossa sociedade e, infelizmente, muito recorrente na vida de tantas mulheres que estão próximas de todos nós, com estatísticas alarmantes.

As agressões podem ser físicas, sexuais e/ou psicológicas, e não são raros os casos em que estes três tipos de violência ocorram dentro de um mesmo contexto familiar.

Diante disto, a Associação Fênix promove há 12 anos um trabalho psicossocial aprofundado na temática da violência. Muitas mulheres já foram buscar atendimento psicológico a fim de conseguirem superar e lidar com as marcas físicas e psíquicas que seu companheiro deixou.

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Um fato importante que pôde ser notado ao longo dos anos de atendimento a esse público, e estudos reforçam este dado, é que se trata de um ciclo de violência, uma construção social, geralmente originado em um ambiente familiar doentio, com relações de excessos. Isto é, excessos no controle do outro, excessos de ciúmes, excesso de álcool, dentre outros. De fato não é fácil romper ciclos de violência, mas é preciso dar um passo de mudança. A rede de proteção está aí para fornecer amparo e apoio a essas mulheres.

Essa semana em entrevista para a RPC a Associação Fênix falou sobre a violência contra a mulher, sendo umas das propostas de atendimento da nossa instituição, e uma de nossas atendidas prestou um depoimento emocionante, confira no link a seguir:

Confira a participação da Associação Fênix – Ações Pela Vida em matéria da RPC sobre o tema

O ciclo da violência

Depoimento de uma mulher que sofreu violência e está trabalhando isso em terapia na Associação Fênix.

Muitas destas mulheres que vivem neste ciclo de violência por seus companheiros retornam a conviver com eles, mesmo após tentativas de separação. Alguns fatores em comum mantém essas mulheres nestas relações abusivas, como o fato de manter a família unida, a dependência financeira dos parceiros, a falta de apoio da família extensa e da comunidade, alcoolismo, vulnerabilidade social, repetição de relações abusivas através de gerações, crenças, medo, ameaças, insegurança, dentre outros. Tais aspectos estão associados à dinâmica da violência contra as mulheres, o que acaba as mantendo em uma posição de desvalia e submissão aos abusos sofridos.

 

Uma carta para você, mulher:

Para você, mulher, que costuma não se perceber como alguém de valor, que tolera agressões achando que o companheiro irá mudar, ou então justificando “pequenas” violências com desculpas como “estava bêbado” ou “estressado por causa do trabalho”, que costuma também fechar os olhos para essa realidade por sofrer ameaças,

Esperança

Você merece ser cuidada e respeitada. Se permita sair desse ciclo.

medo, comodismo, estar habituada a ver isso no histórico familiar, busque ajuda, é a partir destes pequenos acontecimentos que a violência vai ganhando forças em um relacionamento, a ponto de poder chegar a um ponto extremo sem volta.

Não negligencie maus tratos em sua vida, não negligencie humilhações ou agressões verbais e não tolere ser tratada como alguém de menos valor. Você, mulher que talvez ao logo de sua história não tenha aprendido a ser amada ou cuidada, precisa buscar se reconhecer em seu valor, se permitir se redescobrir como uma mulher forte e determinada que talvez pelas marcas da vida acabou ficando adormecida. Até quando vai permanecer negligenciando suas insatisfações e viver como um barco à deriva, estagnada em seu sofrimento? Busque ajuda!

                                                                             Como mudar essa realidade?

Associação Fênix - Ações Pela Vida

A Associação Fênix trabalha com mulheres vítimas de violência visando o tratamento dos traumas

Mas e o que eu faço para romper este ciclo? Primeiramente reconheça que seu relacionamento está sendo abusivo, que não é saudável o jeito que seu companheiro lhe trata e se abra com alguém próximo e de confiança que possa lhe prestar apoio.

A partir disso tome medidas de segurança, busque ajuda especializada, vá até uma delegacia, denuncie, proteja a você e sua família, principalmente se houver crianças ou adolescentes envolvidos. Depois, é hora de cuidar de si, talvez você já saiu da zona maior de risco, mas agora precisa limpar sua casa interna, abrir os cômodos de sua vida que estão empoeirados e te fizeram permanecer por tanto tempo com uma pessoa que tinha prazer em lhe machucar, ou que se dizia arrependido, mas que sempre retornava ao mesmo erro.

Com certeza a violência deixa marcas. Às vezes irreparáveis. Mas sempre é possível recomeçar e ressignificar a sua história, assim como o sol nasce todos os dias, cada novo dia é possível lutar por você, por uma vida mais digna e feliz.

Associação Fênix

Texto de  Thaís da Costa de Paula

Psicóloga Clínica

CRP PR/ 08 22387